Infatojuvenil · Literatura Brasileira

Princesa Adormecida

Quando ainda na infância, por motivo muito cruel, Anna Rosa fora tirada dos braços de seus pais, o distanciamento parecia ser o certo a ser feito para mantê-la viva. Sendo assim, seus tios Florindo, Fausto e Petrônio a trouxeram da Europa para o Brasil e toda a sua vida antes disso lhe parecia mais com um borrão, pincelado de fantasia por seus tios, que a educaram e protegeram-na como sua própria filha, do que sua verdadeira história.
Durante a vida, seus tios tentavam compensar de diversas maneiras a ausência de seus pais, contudo a proteção excessiva que recebia refletia em uma frustração um tanto grande para Rosa, que se sentia privada de viver como uma “garota normal” com uma vida social, como suas amigas.

  “Durante muito tempo eu apenas imaginei como seria a sensação de estar apaixonada…
Até que meu aniversário de 16 anos chegou” Anna Rosa.

Viver em um colégio interno desde os onze anos, sem liberdade alguma para sair durante a noite, foi um motivo tentador para as amigas de Rosa fazerem uma comemoração surpresa em seu aniversário. Surpresa que abriu portas para uma nova realidade que devastou seu coração e o restaurou, acelerou sua pulsação sanguínea e deixou uma linha tênue entre o sonho e a realidade, fazendo o mundo de Rosa virar, aos poucos, imperceptivelmente, de ponta cabeça, e fazendo-a descobrir que na verdade, essa era a sua posição correta.

 

“Sim aquilo provavelmente era loucura. Mas o mais estranho é que eu não queria me curar” Anna Rosa.

 Logo nas primeiras páginas eu me senti à vontade com Rosa, não só pela linguagem, juvenil, mas também pela sua clareza. Ela tem sentimentos, como todas nós, mas ao contrário de muitas, ela nos fala sobre eles, elas nos confia todos os seus anseios e inseguranças e isso faz com que nós não sejamos capazes de deixar o livro de lado.

O livro é dividido em duas partes além dos capítulos, essas duas partes são pontos de localização, porque no início da narração Rosa conta os preliminares da história e essa divisão faz com que compreendamos o passado, o presente e, meio que, digamos, o futuro, que são períodos fundamentais para história da vida dela.

 Eu nunca tinha lido Paula Pimenta e eu não imaginava que ela poderia tornar Anna Rosa uma verdadeira adolescente, quer dizer, ela fala perfeitamente a língua de uma garota comum. Há trocas de SMS entre os protagonistas e como na contracapa, é possível acompanhar esse diálogo como realmente uma mensagem; como já mencionei, a linguagem é bastante acessível, e como cereja desse saboroso bolo literário, digo que, o toque de conto de fadas faz o livro ser ainda mais próximo de nossa perspectiva juvenil, aliás, quem não sonha com um príncipe encantado?

O livro é curto e bem leve; as mensagens, recados, cartas, tudo que a Rosa lê, nós lemos como ela e a diagramação deixa isso tudo uma graça. Bem, vocês sabem: nada se compara com a antiga fórmula do “Era uma vez, em um reino distante, uma jovem donzela…”. A receita não é nova, claro, mas Paula Pimenta inovou essa fórmula com um toque brasileiro. E isso renova qualquer uma.

 “Eu também estava surpresa {…} por aquilo tudo que eu julgava ter acontecido apenas em algum sonho infantil, ter sido real” Anna Rosa.

Título original: Princesa Adormecida
Autor: Paula Pimenta
Páginas: 192
Editora: Galera
Edição: 4ª, 2014

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