Drama · Romance

Uma Longa Jornada

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Ao sofrer um grave acidente de carro, Ira Levinson se agarra a visão de sua esposa, Ruth, que morreu há nove anos. Lutando por sua sobrevivência, recorda os anos que passaram juntos, dos momentos em que suas vidas eram um mar de rosas, aos que o mar se tornou tempestuoso.

Sophia Danko é uma universitária que está passando por uma fase difícil quando sua amiga, Marcia, a motiva a ir a um rodeio. Enquanto tenta tirar proveito da noite, é surpreendida pelo ex-namorado embriagado e enfurecido, e é Luke Collins, o campeão do rodeio, quem a liberta das garras do valentão de 1,98 metro de altura.

E mesmo a única semelhança entre eles ser o fato de morarem na Carolina do Norte, EUA, o caminho de cada um possui uma essência impetuosa capaz de fazer com que se encontrem, intrínseca e intensamente.

 “Se nós não tivéssemos nos conhecido, acho que eu teria compreendido que minha vida não estava completa. E teria perambulado pelo mundo à sua procura, mesmo se não soubesse o que estava buscando.” 
Página 248

A história se intercala entre passado e presente.
Entre a história de um amor que se firmou em um período em que o biquíni ainda não havia sido inventado e que as guerras eclodiam provando as relações. E de um amor que enfrenta conflitos pessoais e as diferenças para florescer em corações determinados. 

Como é de costume nos romances do Nicholas Sparks, a narração é alternada entre os protagonistas.

Ira é um homem já cansado e, embora ele mencione detalhadamente a condição terrível em que ele está, senti uma leveza inacreditável com a narração dele. Ele simplesmente não mede o que fala; está desapegado às conveniências. Ele faz comentários autodepreciativos, mórbidos, amáveis, gentis e irônicos, e apesar de relembrar fatos tão dolorosos, ele não torna tudo ainda mais difícil. É como se a voz dele se mantivesse suave apesar de tudo.

Ele vê Ruth, e apesar de ser óbvio que isso seja fruto da sua imaginação, quem se importa? E é aí que residem as partes mais gostosas da história: o diálogo de duas pessoas que se conhecem muito bem, e que está cheio de carinho e bom humor.

Eu mentiria se dissesse que não ri das conversas que eles têm durante o decorrer da história. Eu nunca tinha visto alguém ser capaz de ser tão sarcástico em situações tão difíceis.

Não sei se conhecerei homem por quem terei tamanha estima como tive por Ira. 

 “— Você não deveria se queixar. Não é bonito.
— Há muitos anos não sou bonito;
— Não — contrapõe ela. — Nisso você está errado. Seu coração ainda é lindo. Seus olhos ainda são gentis e você é um homem bom e honesto. E isso é o bastante para mantê-lo lindo para sempre.
— Está flertando comigo? {…}” 
Página 194

Luke e Sophia vivem vidas totalmente diferentes. Ele ajuda sua mãe fazendo os serviços mais pesados da fazenda e aos fins de semana participa de rodeios. Ele é um homem rústico que pouco teve tempo para relações amorosas. Já Sophia, apesar de ter sempre trabalhado muito no negócio da família, nunca teve grandes responsabilidades. E ela não espera nada mais do que um estágio em algum museu.

Eu vi o quanto eram desproporcionais o chapéu e as botas de Luke no campus da universidade de Sophia, assim como a vida deles: Sophia estava seguindo uma reta plana enquanto Luke estava caminhando por uma estrada esburacada. Mas o que há entre eles é tão intenso e único que essas coisas se tornam meros detalhes. Na relação deles, sentimos algo mais forte do que os obstáculos.

Observei também a forma com que Ira amava Ruth diante de tantas fases difíceis no relacionamento deles.

Nunca senti o amor de maneira tão real como senti nessa narrativa. E também compreendi o quanto o amor é capaz de superar as diversidades.

Os personagens são muito bem construídos. A personalidade de cada um me encantou, assim como os princípios individuais e a forma que os relacionamentos foram se desenvolvendo.

Comprei uma edição em bolso, mas isso não deixou o livro aquém.

Eu sabia que não devia me submeter novamente ao Nicholas: algo pulsava forte dentro de mim em negação. E eu estava certa. Só que pelo motivo errado. Eu não deveria ter lido, porque o que há dentro do meu coração, agora, depois de tê-lo lido, é mais puro e magnífico do que eu poderia suportar.

 “Se existe um paraíso, nós nos encontraremos de novo, porque não existe um paraíso sem você” 
Página 248

Título original: The Longest Ride
Autor: Nicholas Sparks
Páginas: 288
Editora: Arqueiro
Edição: Popular, 2014

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