Não-Ficção

O Livreiro de Cabul

a7ebf8_c883531b9572443496193b7ba5f5946dPor volta de 1996, o Talibã tomou o poder do Afeganistão e um regime opressor passou a governar a nação já sofrida. O pouco que restava da cultura e arte afegãs nos museus, bibliotecas e esculturas foi destruído. Livros queimaram nas fogueiras, não se podia dançar nem ouvir músicas; inúmeras proibições em forma de decretos foram feitas. Os afegãos foram coagidos, mais uma vez.

Na capital, Cabul, se encontra a singular família Khan, família do livreiro Sultan, que com muito esforço, enfrentando a instabilidade política e social, criou um monopólio de livros. Os livros são sua vida. E após ver a própria cultura se perder aos escombros da guerra, passou a se tornar seu objetivo não deixar a história afegã se apagar, investindo cada vez mais em suas livrarias.

 O Afeganistão sofreu duramente com governos opressores, portanto, todas as conquistas almejadas pela nação, desde o século XIX, foram fruto da luta, da persistência e quando nada se podia fazer a não ser aceitar o inflexível destino, a paciência e a suportação.

“Para se ter êxito, algumas vezes é preciso ser lobo, outras vezes cordeiro.”

Uma das coisas que mais me surpreendeu em O Livreiro de Cabul é o fato de ser baseado nas histórias de uma família com quem a autora teve contato, e é incrível poder ver a forma que outra pessoa, um estrangeiro, acompanha a vida de uma família muçulmana. Quero dizer, apesar das diferenças há tantas semelhanças! Neste enredo comprovei que nada muda o fato de sermos todos iguais; todos lutando para sobreviver neste mundo.

 A história é dividida em capítulos independentes, ou seja, cada capítulo se trata de um assunto diferente, de um acontecimento distinto.

Além de termos conhecimento dos costumes, da história, das marcas afegãs, conhecemos a história de cada membro da família Khan, algo que eu achei bastante interessante e que me fez gostar ainda mais do livro. Porque é muito fácil julgar uma situação vendo apenas um lado, e também é errado. Aliás, como diz Shakespeare “independente da situação, sempre existem dois lados”. E isso é importante para que ao fechar o livro possamos suspirar profundamente e ver tudo como realmente é sem botar a culpa em ninguém.

É importante salientar que se trata de uma obra não-ficção, sendo assim, como diria minha mãe “não espere um final de conto de fadas”. Há relatos de um período difícil, de um povo que, como qualquer outro, quer ter o direito de ter uma vida digna e de paz. É uma história para refletir sobre quem você é, de onde é, o que e quem você tem.

“O coração partido fica para trás. Logo irá se misturar à poeira que entra pela janela, à poeira que mora nos tapetes {…}”

Título original: Bokhandleren I Kabul
Autor: Åsne Seierstad
Páginas: 277
Editora: BestBolso
Edição: 9ª, 201

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