Drama · Romance

A Menina que Roubava Livros

“É só uma pequena história, na verdade, sobre, entre outras coisas:
* Uma menina

* Algumas palavras
* Um acordeonista
* Uns alemães fanáticos
* Um lutador judeu
* E uma porção de roubos {…}”

Liesel Meminger era uma garota de apenas nove anos quando se encontrou com a Morte pela primeira vez. A primeira de três, durante a Alemanha nazista – entre 1939 e 1943. Não, Liesel não esteve prestes a morrer por três vezes, pelo contrário: na maioria das vezes sua alma estava mais viva do que nunca.

Durante o árduo trabalho que a Segunda Guerra, Hitler e tantos outros, lhe rendera, a Morte se distrai recordando histórias que ela “apanha nos lugares mais azarados, mais improváveis”. E A Menina que Roubava Livros é uma dessas histórias.

A Morte discorre todo o percurso de Liesel: uma garota adotada por Rosa, que apesar de ser lembrada pelas agressões verbais e físicas (com sua colher de pau), amava verdadeiramente Liesel, e por Hans Hubermann, um homem sereno, amável que tinha muito valor. A garota mora na Rua Himmel com o casal Hubermann, na cidade de Molching, ela tem um companheiro anarquista implacável, de cabelos da cor de limões, uma improvável amiga, dona de uma grande biblioteca, e um amigo judeu, abrigado em seu porão.

A menina passa a roubar livros a partir de seu iminente encontro com um. Seu primeiro livro: O Manual do Coveiro. Em consequência de sua descoberta – ou roubo, Hans começa ensinar a menina a ler, e então, Liesel inicia, também, sua busca por palavras. Por saboreá-las, senti-las, descobri-las.

“Já faz muitos anos desde aquilo tudo, mas ainda há muito trabalho a fazer. Posso lhe jurar que o mundo é uma fábrica. O sol a movimenta, os humanos a dirigem. E eu permaneço. Levo-os embora.” 

“Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.” É definitivamente um conselho a ser considerado. O fato de a Morte contar a história faz com que a leiamos com uma visão mais aguçada, prestando atenção em detalhes mínimos, quase que imperceptíveis – mas maravilhosos. O fato dela expor seus pensamentos e reflexões sobre a vida e a humanidade faz todo o romance ser bastante intrigante e surpreendente. Também vale considerar o fato de ela ser clara e direta, os acontecimentos são expostos no tempo certo e como realmente são.

O livro é extenso e contem algumas palavras que nos fazem recorrer a um dicionário, há algumas palavras em alemão e suas respectivas traduções. Porém, isso só faz com que o livro se torne mais atraente, digamos assim. A divisão dos acontecimentos torna mais fácil a compreensão da história sem perder do ritmo.

Devo mencionar que ao contrário do que se pensa a Morte é adorável em sua narrativa, é possível até mesmo ser desenvolvida certa proximidade. E é tão incrível que mesmo você se debulhando em lágrimas, em meio aos bombardeios de acontecimentos terríveis, a leitura se segue ao ponto final tirando-nos um sorriso dos lábios.

Aterrorizantemente incrível e comovente. Uma história em uma Alemanha horrível, mas com personagens sensíveis e genuínos, que ao fechar o livro me deixou com um frescor de paz no peito.

Quatrocentas e setenta e oito páginas de emoções de tirar mais de quinhentos suspiros.

Título original: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Páginas: 480
Editora: Intrínseca
Edição: 2ª, 2010

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s