Chick Lit · Literatura Estrangeira · Romance

Férias!

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Rachel Walsh apesar de estar saindo da casa dos vinte, permanece com valores fúteis e uma personalidade ofuscada pela turbulência de uma vida cheia de farra e certa libertinagem, fadada a mentiras e consequências negativas.
Após ultrapassar os limites, Rachel é direcionada ao Claustro com o diagnóstico de toxicômana. A verdade é que todos já estão exaustos de terem de lidar com os resultados de sua vida sem escrúpulos, — especialmente Brigit, com quem divide o apartamento, e Luke Costello, seu namorado.

Mesmo tendo que depositar uma grande quantia para a internação da filha, a decisão é certa: Rachel precisa mudar e se tornar uma mulher responsável. A ideia de ir para um centro de reabilitação parecia inconcebível para Rachel, até ela começar a relacionar o Claustro como uma versão irlandesa da Clínica Betty Ford. A idealização de cruzar corredores com famosos e passar uma estadia em um lugar que lhe cairia mais como um hotel para suas merecidas férias foi o que a convenceu.

Mas, logo ao dar entrada no casarão, Rachel constata que as coisas não seriam como imaginava.

“Aquela noite não consegui dormir. Do mesmo modo como um terremoto pode virar uma casa de cabeça para baixo, fazendo com que a mesa da cozinha vá parar no teto, meus indesejados insights mudaram a posição de cada emoção e lembrança que eu tinha. Alterando a relação de uma com a outra, desafiando a ordem de sua posição original. O universo em minha cabeça se inclinava e balançava, tudo trocava de posição, indo parar de pernas para o ar em lugares que no passado pareciam errados, ilógicos, impossíveis. Mas agora, eu admitia a contragosto, estavam nos lugares onde sempre deveria ter estado.” 

A narração é feita em primeira pessoa, o que faz com que seja bastante difícil vermos o outro lado da história. A princípio, nós pensamos “realmente, Rachel é uma pobre coitada” ou qualquer coisa do tipo, mas depois começamos a ver reações que tornam óbvio o fato de que há algo de errado com esse pensamento.

A leitura foi um tanto morosa por conta da vida no Claustro ser bastante cansativa. A Rachel tem que mudar e descobrir sua verdadeira essência, considerar as ações de quem realmente se importa com ela, ver e mostrar o outro lado da história; ela tem que inspirar e expirar a vida de verdade. E é nesse ponto que a leitura transcorreu rapidamente e me fez rir enquanto chorava.

Há um humor pitoresco em cada capítulo. Os integrantes do Claustro são únicos: autodepreciativos — inclusive a própria Rachel, muito bem humorados… Quando menos eu esperava dava gargalhadas com alguma piada ou, então, algum comentário ácido que nem tinha passado pela minha mente.

Não tinha lido Marian Keyes antes e, apesar da primeira impressão (de que ela era terrivelmente pervertida), eu encerrei a leitura muito animada e alegre.

“Eu tinha voltado e enfrentado a parte mais sombria do meu passado. Tinha ficado cara a cara com meus erros {…} O demônio fora finalmente exorcizado. {…} estava muito orgulhosa de mim mesma. Eu era Rachel Walsh. Uma mulher, uma adulta. Uma matuta, uma gata, uma ovelha perdida, uma toxicômana. Uma ovelha encontrada. Uma sobrevivente.”

Título original: Rachel’s Holiday
Autor: Marian Keyes
Páginas: 560
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 15ª, 2012

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