Romance

Quase Verdade

IMG_20150627_102555Certa manhã, Cassandra recebe a notícia de que seu marido faleceu. Simplesmente despencou da estrada e morreu. Mas acontece que o falecido não deixou nada além de dívidas e uma autoestima muito baixa para Cassie.

De volta à casa de infância, Cassie só pode se refugiar a sua amável mãe e a Tiff, sua melhor amiga. Ah, e a Sam. Não, não é um amante que ela mantém. Sam é seu papagaio African gray, um companheiro dócil.
Tudo estaria ótimo, considerando que Cassie se livrou de um casamento difícil e que as pessoas que realmente se importam com ela estão ao seu lado. Mas isso não é o bastante. Não quando se está desempregada aos 30 anos de idade. Não quando você não tem um diploma.
Cassie nunca teve sucesso nos estudos e sua experiência profissional parece não ter importância nas entrevistas de emprego. Então, ao ver-se “não empregável”, ela simplesmente não viu alternativa.

“Eu não tinha intenção de mentir em meu currículo. Apenas aconteceu. Mas isso não era apenas uma mentira. Era uma mentira da categoria 2, talvez categoria 3. Ora, vamos. Frank era uma porcaria de um mentiroso e Deus não lhe lançou um raio. Bem… Eu cuidadosamente olho para os dois lados, antes de atravessar a rua.”

 

O livro nos traz uma reflexão do tipo “quem nós somos quando ninguém está olhando”, só que no estilo “quem nós somos quando estamos diante da natureza”. Nos fazendo meditar sobre a natureza, sobre a vida e a natureza, sobre a vida com a natureza.

A Cassie sofre desde a infância de dislexia, o que a fez desistir dos estudos por completo. E quando ela começa a trabalhar com um certo professor universitário ― muito bonito por sinal, ela passa a enfrentar suas dificuldades. Ela cria novas perspectivas a partir de Platão, Emerson, e tantos outros filósofos integrantes da biblioteca do professor Conner.

A mentira não beneficia a Cassie. Não. Por meio da mentira, de toda a farsa que ela passa a viver, ela reconhece o valor da verdade. Não como item essencial da moralidade social, mas fundamental na integridade individual.
É na mentira que ela percebe a sua verdade; quem ela é e quem ela quer ser, e o que ela quer para a sua vida.

“{…} Só quando estamos perdidos ou, em outras palavras, perdemos o mundo, é que começamos a encontrar a nós mesmos, e percebemos onde estamos…”

O livro é dividido em duas partes. As personalidades são desenvolvidas de uma maneira que só Jennifer e Karen sabem; de uma maneira simples e bastante concisa é possível estar ligado a cada personagem.

A Cassie é bem-humorada, leve e bastante peculiar. As reflexões e os comentários dela são inspiradores e animadores.

As meninas souberam dizer tudo o que era necessário em poucas páginas, e apesar de pequenos erros na revisão ― que não têm nada a ver com elas ― a leitura é bastante acessível.

Título original: A Version of The Truth
Autor: Jennifer Kaufman e Karen Mack
Páginas: 334
Editora: Casa da Palavra
Edição: 1ª, 2011

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