Romance

Quase Verdade

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Certa manhã, Cassandra recebe a notícia de que seu marido faleceu. Simplesmente despencou da estrada e morreu. Não sendo suficiente, o falecido não deixou nada além de dívidas e uma baixíssima autoestima para Cassie.

De volta à casa de infância, Cassie só pode se refugiar a sua amável mãe e a Tiff, sua melhor amiga. Ah, e a Sam, é claro. Não, não é um amante que ela mantém, Sam é seu papagaio African gray, um companheiro dócil.

Tudo estaria ótimo, considerando que ela se livrou de um casamento difícil e que as pessoas que realmente se importam com ela estão ao seu lado. Mas isso não basta na condição na qual ela se encontra. Aos 30 anos de idade, ela está desempregada e não tem nem um diploma. Nunca teve sucesso nos estudos e sua experiência profissional parece não ter importância nas entrevistas de emprego.

Ao ver-se “não empregável” Cassie toma uma iniciativa um tanto desesperada e só nos resta sentar e aguardar como e por quanto tempo ela sustentará suas decisões – e suas mentiras.

“Eu não tinha intenção de mentir em meu currículo. Apenas aconteceu. Mas isso não era apenas uma mentira. Era uma mentira da categoria 2, talvez categoria 3. Ora, vamos. Frank era uma porcaria de um mentiroso e Deus não lhe lançou um raio. Bem… Eu cuidadosamente olho para os dois lados, antes de atravessar a rua.”

O livro nos traz uma reflexão do tipo “Quem nós somos quando ninguém está olhando”, só que no estilo “Quem somos diante da natureza, da vida”. Nos faz meditar sobre a natureza, sobre a vida e a natureza, sobre a vida com a natureza – talvez fique mais claro ao ler, garanto que vale a pena.

A Cassie tem dislexia desde a infância, o que a fez desistir dos estudos por completo. Mas quando ela começa a trabalhar com um certo professor universitário ― muito bonito por sinal, ela passa a enfrentar suas dificuldades. Ela cria novas perspectivas a partir de Platão, Emerson, e tantos outros filósofos integrantes da biblioteca do professor Conner.

A mentira não beneficia a Cassie. Não. Por meio da mentira, de toda a farsa que ela passa a viver, ela reconhece o valor da verdade. Não como item essencial da moralidade social, mas fundamental na integridade individual.
É na mentira que ela percebe a sua verdade; quem ela é e quem ela quer ser, e o que ela quer para a sua vida.

“{…} Só quando estamos perdidos ou, em outras palavras, perdemos o mundo, é que começamos a encontrar a nós mesmos, e percebemos onde estamos…”

A Cassie é bem-humorada, leve e bastante peculiar, achei suas reflexões e comentários inspiradores e animadores. As personalidades são desenvolvidas de uma maneira simples e bastante concisa, a cada novo capítulo nos conectamos aos personagens e sua essência, de modo que ao findar da leitura tudo parece muito familiar, agradável e comovente.

As autoras souberam dizer tudo o que era necessário em poucas páginas, e apesar de pequenos erros na revisão (que pode ter melhorado numa nova edição) a leitura é bastante acessível.

 

Título original: A Version of The Truth
Autor: Jennifer Kaufman e Karen Mack
Páginas: 334
Editora: Casa da Palavra
Edição: 1ª, 2011

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