Young Adult

A Herdeira

Antes de qualquer coisa, quero iniciar esta resenha esclarecendo que a) este não é um livro independente, porém, b) pode muito bem ser lido como tal, dito isto, c) apoio a leitura do final ao começo.

IMG-20160709-WA0005A forma que somos educados desde nossa infância influencia de maneira predominante a formação da nossa personalidade, e para Eadlyn Schreave não poderia ser diferente disto. Contudo, ao contrário das outras pessoas da pequena nação de Illéa, ela deve ser exatamente como foi educada; sua vida está planejada para ser vivida para e pela sua nação. Afinal de contas, Eadlyn é a futura rainha.

Mas, sermos quem fomos educados a ser não é um fato, é uma escolha.
Governar um país implica abrir mão de muitas coisas, e mesmo que Eadlyn já tenha aberto as mãos de uma vida tranquila, sem responsabilidades, nunca parece o suficiente — principalmente, quando as rebeliões se intensificam. E quando acreditava que estava preparada a reinar, sua capacidade de abdicar seus próprios valores, em nome de seus conterrâneos, é colocada à prova quando seus pais lhe oferecerem uma “oportunidade”: uma Seleção, com trinta e cinco jovens concorrendo pela sua mão.

Apesar de terem lhe dado tempo para pensar, Eadlyn não tem escolha. Mas ela é o tipo de mulher que não cede fácil; há sempre um plano B. E mesmo que seu pai precise muito que a Seleção aconteça, que ela queira mais do que tudo ajudá-lo, aliviando o peso do reinado, que esteja disposta a sacrificar muito em nome de sua nação, ela também ama a si própria e não põe em questão perder sua liberdade. Jamais! Nem que para isso ela tenha que jogar sujo. (Não que isso irá interferir na sua boa ação do ano)

“— Você é como a sua mãe e a minha. É determinada. E talvez o mais importante: não gosta de fracassar. Sei que tudo isso vai funcionar. No mínimo, porque você vai se recusar a deixar o contrário acontecer.
Quase lhe contei, quase confessei que tinha lotado páginas e páginas com ideias para
afugentar os garotos. Ele tinha razão: eu não queria fracassar. Mas, para mim, fracasso seria ter uma vida conduzida por outra pessoa. 

Eadlyn tem um irmão gêmeo, Ahren, e é nele e em seu pai, Maxon Schreave, que ela vê todo apoio. É como se sua família, além dela, fosse a única coisa que tivesse influência no seu próprio eu, é a segurança dela.
Ela não é uma garota fácil de lidar, afinal, cresceu sabendo que seria uma rainha. Ela se moldou para trabalhar pela nação não com a nação. Ela vive como uma ilha, não permitindo-se expor ao mundo e não aceitando facilmente a exposição do mundo para si; ela vê e expõe somente o necessário, não sua essência.

Por isso o amor era uma ideia terrível: ele enfraquecia as pessoas.
E não havia nenhuma pessoa no mundo tão poderosa quanto eu.”

Maxon e America Schreave têm quatro filhos, e uma das coisas que achei muito incrível no livro é que os momentos em que cada um deles surge há uma carga de carinho muito grande, é como se os seis fossem conexões constantes, independentes de suas localizações. Há muito afeto e mesmo nos momentos ruins, sentimos que ainda há no que nos apegarmos.

As personalidades dos personagens me cativaram muito. Desde os irmãos da Eady, como Kaden, por ser tão perspicaz e sensível, ainda que tenha apenas 14 anos, até os pretendentes que se mostraram tão autênticos e sinceros — mesmo que isso signifique ser safado ou mostrar dotes culinários. Não há hesitação em ser quem realmente é. O que eu achei ótimo, maravilhoso!, porque isso tornou o livro muito puro. Há também o Kile. Bem, Kile é diferente de qualquer um que está envolvido na produção da Seleção, ele tem uma vida independente. Quero dizer, ele tem o mundo dele, os planos dele, a segurança dele. É como se nada no mundo pudesse tirar a ordem que há nele, muito menos Eady.

O livro não é o último da série, portanto tem continuação.

A Herdeira marca uma etapa da vida da Eady, o que eu acho muito importante, pois isso nos faz ter acesso à personagem Eadlyn, e não a uma continuação da história de Maxon e America. O que compreendi foi que a Kiera nos deu A Herdeira para conhecermos a Eady e com ela amadurecer.
Eadlyn não só precisa de um palco, mas também de toda atenção para si. Não vou ser hipócrita: muitas vezes fiquei bastante irritada por ela ser tão cabeça dura, mas, se nos permitirmos, nos conectamos de tal forma com os princípios e vivências, que é possível ser humano o suficiente para compreender o lado dela, assim como o de todos os outros personagens.

“— Não sei ao certo se acredito em destino. Mas posso dizer que às vezes aquilo que você mais deseja vai cruzar sua porta determinado a te evitar a qualquer custo. E, ainda assim, de algum jeito, você descobre que é suficiente para fazê-lo ficar.”

Título original: The Heir
Autor: Kiera Cass
Páginas: 392
Editora: Seguinte
Edição: 1ª, 2015

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