Aventura · Young Adult

Cidades de Papel

Há momentos em nossa vida em que tudo parece estar em seu devido lugar, entretanto, nem sempre é um mar de rosas. E levando em consideração todos os fatos improváveis, é certo que ao menos um irá ocorrer a cada um de nós.
Mas tudo é relativo, claro. Afinal, para Quentin Jacobsen o seu milagre era ser vizinho de Margo Roth Spiegelman, mas, para mim, o seu verdadeiro milagre era muito mais do que apenas uma garota.

Margo Roth Spiegelman era a rainha da escola, a garota que vivia grandes aventuras; era incrível. Mesmo que desde a infância fossem vizinhos, Quentin mal a conhecia. Não que isso fosse interferir em sua paixão platônica. De modo algum.

“Era cinco de maio, mas não fazia diferença. Meus dias tinham uma agradável uniformidade. E eu sempre gostei disso: eu gostava da rotina. {…} E assim, o cinco de maio poderia ter sido um outro dia qualquer ― até pouco antes de meia-noite, quando Margo Roth Spiegelman abriu a janela sem tela do meu quarto.” 

Então, eu diria que este, Ah!, este sim, foi o grande milagre de Quentin. Não a invasão em si, mas a noite, o cinco de maio.
Margo tinha um plano vingativo e escolheu Quentin para participar desta peripécia. Bem, com isso, talvez, no dia seguinte tudo poderia ser diferente entre eles, não é mesmo? Não, pois, após três dias, ninguém tem notícias da Margo. Até que o Q se depara com um misterioso detalhe deixado e é instigado a avançar, a encontrar mais rastros, a encontrá-la.

“E acho que era isso que eu estava tentando fazer também: ouvir todos os barulhinhos emitidos por ela, porque, antes de fazer sentido, as coisas precisam ser ouvidas.”

Primeiramente, quero mencionar que fiquei muito feliz, porque, graças ao bom Deus, dessa vez o John Verde não matou nenhum protagonista. Dito isto, eis minha deixa!

Embora não seja popular, Radar e Ben há anos são os melhores amigos de Quentin, portanto, como se pode imaginar, há muita liberdade entre eles. Há muitas piadas depreciativas, comentários atrevidos, uso de gírias e até mesmo alguns palavrões. Acho que o John soube colocar muita diversão e emoção só na existência dessa amizade. Com certeza, foi o que fez toda a história valer a pena. Porque as amizades costumam ser assim, o que te segura quando você está desabando.
E é o que acontece com o Q, ele passa a prestar atenção em cada pista da Margo, não apenas para descobrir aonde ela foi, mas por quê. Ele começa a encarar não só a verdadeira personalidade dela, mas também os próprios sentimentos, princípios e valores.

A história tem um ritmo muito bom; o livro tem três partes e na última, a divisão é por horas. A leitura é maravilhosamente juvenil, com menções a autores, lugares, cantores e músicas.
Como é típico do John, quando fechamos o livro é inevitável não ficar refletindo em cada ponto abordado. Você pode não gostar da bendita história ou do gênero, mas pela escrita dele, pelas mensagens deixadas, você passa a amar o enredo.

“― O que é, o que é… uma história e tanto? 
Ninguém diz nada por um instante. {…} E depois de um tempo, Ben diz: ― É isso, não é?
Faço que sim.
― É ― diz Radar. ― Desde que a gente não morra, esta vai ser uma história e tanto.”  

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Título original: Paper Towns
Autor: John Green
Páginas: 256
Editora: Intrínseca
Edição: 2ª, 2014

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