Young Adult

Para Todos os Garotos que Já Amei

IMG-20160809-WA0006Para nenhum adolescente o começo das aulas é fácil. Há muita emoção e ansiedade. Isso nas primeiras semanas, é claro. Depois, tudo parece comum, rotineiro. Não que isso seja um problema para Lara Jean, afinal ela tem algo muito maior com o que se preocupar. Com sua irmã mais velha, Margot, indo para a faculdade na Escócia, o caminho que ela, seu pai e sua irmã mais nova, Kitty, vão começar a traçar não parece nada simples e fácil de se tornar comum. Na verdade, pensar em Margot tão longe é assustador demais para que ela fique ansiosa com qualquer passagem de tempo.
Mas é questão de tempo para que o motivo de seu pânico deixe de ser a mudança de Gogo. Aliás, o que é sua irmã mais velha há seis mil quilômetros de distância quando cartas de amor, que ela mesma escreveu a garotos que já amou, são entregues aos seus destinatários? São confissões de seus sentimentos mais profundos e, bem, as coisas meio que saem de seu controle quando elas não passam ser segredos seus.

Ah, Deus. Não. Não. Isso não está acontecendo.
Isso não é real. Estou sonhando. Estou no meu
quarto e estou sonhando e Peter Kavinsky está no
meu sonho, olhando com raiva para mim. Eu fecho os
olhos. Estou sonhando? Isso é real?
— Lara Jean.
Abro os olhos. Não estou sonhando e isso é real.
É um pesadelo. Peter Kavinsky está segurando minha
carta. É minha letra, meu envelope, meu tudo.

Sinceramente, a escrita de Jenny Han me surpreendeu. Quando iniciei a leitura, me senti um tanto desconfortável porque a narrativa se apresentou muito parecida com o gênero diário. Eu nunca tinha lido nesse estilo de narrativa e esperava que fosse detalhista e morosa demais. Mas, graças  a Deus, a autora fez jogos com as informações, colocando-as nos momentos apropriados, nunca se excedendo. Acho que ela tem um timing excelente. Exemplo disso é quando a obra chega ao fim. Eu simplesmente pensei “Dane-se, eu quero a continuação”. Sim, sem discussões e revoltas, simples assim. Porque aquele era um bom momento para a conclusão da história, para recuperarmos o fôlego para mais uma dose.

Lara Jean tem seu próprio mundo, com sua família, sua paz e conforto. Ela não precisa de mais nada. Tudo está perfeito. Entretanto, talvez ela só tenha essa concepção por não ver o que há lá fora. Ou exatamente pelo contrário. Por não enxergar o potencial do que há dentro de si mesma. E quando seus sentimentos secretos, mesmo que antigos, são desvendados não resta nada mais do que ver o efeito catastrófico e divino que eles causam em sua vida.

Os personagens possuem histórias profundas que permeiam suas personalidades de modo impactante. São adolescentes que sabem o que são e o que querem, mas não têm controle sobre a coisa toda. E é isso o que me chamou atenção nesta leitura, o fato de todos os personagens viverem suas vidas em uma constância. Eles não estão descontentes com suas rotinas. Mas, quando novos caminhos começam a ser traçados, as coisas não parecem ser tão sólidas assim, elas passam a ser mais emoção do que qualquer outra coisa. E, afinal, não é isso o que somos? No entanto, toda confusão de sentimentos que há dentro de nós não é exposta. Nós queremos mais, sempre mais. Adrenalina, paixão, vivacidade, diversão, carinho, amizades, companheirismo e momentos. Bons momentos. E, como no caso de Lara Jean, não é simples lidar com tudo isso de uma só vez quando as coisas que você quer parecem não ter sintonia nenhuma, quando seus princípios renegam todos esses anseios e o direito de os extravasar. Então, choquei-me, quando percebi que estava desesperada para que tudo saísse do controle dela, desejei que ela tomasse decisões estúpidas para se libertar de suas próprias amarras. Foi inevitável! E isso me deixou ainda mais fascinada com a escrita de Jenny!

“E tenho certeza, uma certeza repentina, de que tudo está exatamente como deveria, que não preciso ter tanto medo de despedidas, porque elas não precisam ser para sempre.”

Eu não esperava que a trama fosse desenvolvida de uma forma tão intensa e honesta como é. A escrita é leve, juvenil e divertida. Há tanta ternura simplicidade na história que é impossível não encerrar este primeiro volume com o coração aquecido de amor e pedindo mais.

Título original: To All the Boys I’ve Loved Before
Autor: Jenny Han
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Edição: 1ª, 2015

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